Reformada pelos novos proprietários em 1988 a Mulungu Vermelho, além de preservar as características históricas e sua beleza arquitetônica, agora conta com boa infraestrutura de hospedagem e lazer.
Oferecem aos hóspedes: Sauna, piscina, churrasqueira, forno para pizzas, salas de jantar e estar com televisão, play-ground para a criançada, lago, casinha de bonecas, espaço para caminhadas e suítes com frigobar e TV.
Endereço Estrada Aliança, 4446
CEP 27700-000
24 98293628
Entidade mantenedoraFazenda Mulungu Vermelho
NaturezaPrivada
HorárioVisitas com agendamento prévio.
SubtipoArquitetura civil
ImportânciaImportância histórica
Uso atualMisto
PossuiEsculturas, Pinturas, Murais, Vitrais, Azulejaria, Lustres de época, Mobiliário de época, Tapeçarias
Uso inicialFazenda produtora de café
ConservaçãoBom
Estilo de arquiteturaColonial
Sinalização geral de acessoRegular
Transporte públicoRegular
Entrada
Regulamentos para visitaçãoVedada a entrada de animais
Origem dos visitantesLocais, Regionais, Nacionais, Internacionais
Mês de maior frequênciaJulho
Duração da visita1,5h
Facilidades oferecidas ao visitanteCentro de recepção, Informação turística, Serviços de segurança, Catálogos / folhetos, Sinalização interna, Visitas guiadas agendadas, Área verde, Locais para guarda de volumes, Estacionamento de ônibus
HistoricoSua origem remonta ao princípio do século XIX, quando suas terras foram doadas através do sistema de sesmaria ao concessionário capitão Antônio Luiz do Santos, e sua mulher D. Luiza Maria Angélica, a terceira filha do lendário Capitão Ignácio de Souza Werneck, patriarca do clã mais importante do período cafeeiro no Vale do Paraíba.
Esta união deu origem ao ramo Santos Werneck, que vão estender seus domínios na região de Massambará, no município de Vassouras e no distrito de Bemposta, município de Três Rios.
D. Luiza faleceu em 1813 e o Capitão Antonio Luiz dos Santos em 1825, aos 53 anos de idade, de uma "inflamação do peito". Esta é a data provável em que um de seus sete filhos, Francisco Luiz, recebeu de herança as terras que deu origem à fazenda São Francisco, hoje denominada Mulungú Vermelho.
Um fato curioso sobre esta família é que de todas as fazendas fundadas pelos filhos do capitão Antonio Luiz, pelo menos as de Massambará, tiveram nomes de santos homônimos aos seus fundadores, como, por exemplo, a fazenda São Fernando, fundada por Fernando Luiz dos Santos Werneck, a de Santo Antônio, por Antônio Luiz dos Santos Werneck (este migrou para Bemposta fundando lá diversas fazendas), São Luiz, por Luiz Barbosa dos Santos Werneck e São Francisco, por Francisco Luiz dos Santos Werneck, que curiosamente usava a grafia "Verneck".
Pelo que consta, o solar de São Francisco foi construído em 1831, na primeira fase do café no Vale do Paraíba e, com pouco tempo de lavoura, tornou-se uma das mais prósperas de Vassouras. Tudo isso facilitado pela abertura da importante e pioneira estrada do Comércio em 1816, que cortou as fazendas dos irmãos Santos Werneck, de ponta a ponta, trazendo-lhes grandes vantagens no transporte de café para os portos da baixada e posteriormente aos do Rio de Janeiro e finalmente Europa. Por esta mesma estrada, virão os primeiros requintes da Corte do Rio de Janeiro, transformando as sedes das fazendas cafeeiras em verdadeiros palácios rurais, que nada deviam às residências mais luxuosas da Capital do recém criado império brasileiro.
Influenciado pela arquitetura mineira do século XVIII, o solar de São Francisco vai receber uma "maquiagem" neoclássica, estilo este introduzido no Brasil em 1816, pela Missão Artística Francesa, que virá influenciar toda a arquitetura valeparaíbana na fase mais rica do café. A presença do neoclássico no solar pode ser notada nas marcações dos cunhais, nos capitéis, cimalhas, sobrevergas e caixilhos trabalhados.
Em meados do século XIX, quando a produção de café no Vale do Paraíba atinge seu apogeu, São Francisco é uma das mais ricas do vale do ribeirão Florência, produzindo, além do café, cereais que, em alguns casos, abasteciam fazendas vizinhas. Trabalhavam em seus cafezais cerca de 110 escravos, em um número aproximado de 280 mil pés de café, como podemos observar em inventários da fazenda.
O tempo passou e os fazendeiros, despreparados quanto ao uso da terra, acabaram por esgotá-la e decadência da cultura do café foi inevitável. A situação ainda se agravou com a crescente campanha abolicionista e a expansão do mercado inglês no império brasileiro, que não admitia o modo de produção escravista.
Comendador Francisco não viveu para ver a derrocada de sua fazenda, falecendo em 1871, quando o café começava dar sinais de decadência. Sua viúva, D. Maria Francisca das Chagas Werneck, com quem teve três filhos, viveu até 1886.
São Francisco ficou com as filhas herdeiras, Francisca Adelaide, casada com o primo Luiz dos Santos Werneck, herdeiro de São Fernando, e Zeferina Adelaide das Chagas Werneck, casada com o primo, o capitão João Barbosa dos Santos Werneck, herdeiro da fazenda de "Cima" (São Luiz).
Capitão João e Zeferina adquirem as partes dos outros herdeiros, ficando únicos proprietários da São Francisco e mais as de "Cima" e "das Cruzes", sendo está última onde casaram em 1858.
Pouco tempo depois falece o capitão João, e a fazenda é herdada por seu filho, Joaquim Barbosa dos Santos Werneck, que se torna o único proprietário da fazenda, tendo comprado a parte do seu irmão João e a parte de sua mãe, que havia ficado com a fazenda "Cima".
Por volta de 1903, Joaquim se desfaz da fazenda, então com seus 117 alqueires geométricos constando do Sítio "Velho" e fazenda "Pao Ferro", antiga Cruzes, vendendo-a aos recém casados Fortunato Delgado Motta e Gabriela Messias Delgado Motta.
Vindos do município de Lima Duarte, MG, este casal iniciou um novo ciclo na história de São Francisco: a do gado de leite, sem, no entanto, abandonar a tradicional cultura do café cultivado na fazenda até meados da década de 1940. Algum tempo depois adquirem as fazendas vizinhas de "Cima" (São Luiz), Cachoeira Bonita e "Dr. Reis" (São José).
Fortunato era um homem simples e muito respeitado por seus 11 filhos, tidos com sua amada esposa D. Gabriela Messias, filha de João Evangelista de Almeida Ramos e Mariana Evangelista Duque, barões de Santa Bárbara do Monte Verde.
Sinhá Gabriela, como era carinhosamente chamada pelos criados da fazenda, faleceu em 1935, e Fortunato viveu ainda tempos depois no estado de viúvo.
Em 1947, falece Fortunato e São Francisco é dividida entre seus herdeiros, a saber: Maria (Nicota), Militão, Judithe, Mariana (Neném, falecida ainda jovem), Maria José, Jayme (Zezé), Geraldo, Francisco, Thereza, Ana (Anita) e Fortunato. Suas terras são fracionadas e o solar, com uma área de terras reduzida, é vendido a Carmem Lahmeyer Duval e seu marido Carlos Afonso Ferraz Duval e Selma Ferreira da Silva.
O tempo em que o casal Duval fica na fazenda, é o suficiente para promover a recuperação do solar, que se encontrava em adiantado estado de deterioração.
Esse histórico patrimônio foi adquirido em 1988, por Simone Marques Coimbra Pio da Fonseca, já com o nome de Mulungú Vermelho. Localizada no município de Vassouras, no estado do Rio de Janeiro, Simone dedicou-se com afinco às obras de recuperação da fazenda.
Texto e Pesquisa: Adriano Novaes / site do Preservale
Fonte: www.valedocafe.com.br
Descrição do uso anteriorFazenda Produtora de café.
Descrição do uso atualAlém do mergulho na história do Brasil colonial, a fazenda oferece infra-estrutura para hospedagem com: suites, piscinas, play-ground, área externa para atividades de lazer, lago, casinha de bonecas e muito mais...
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